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Lar temporário x Abrigo coletivo

junho 4, 2012

Texto de Marcio Tibiriçá.

“Estou entrando em contato porque apareceu um cachorro abandonado em minha rua, e ele está muito magro e doente. Estou com muita dó dele, mas infelizmente eu não posso fazer nada. Eu também não agüento ver um animal sofrendo, por isso eu gostaria que viesse alguém aqui para levar ele embora. O meu endereço é …”

Mensagens como esta aparecem na caixa de e-mail de ONGs e Protetores de Animais quase que diariamente e, na maioria dos casos, não haverá uma resposta adequada para a situação daquele animal. Tanto as ONGs como os Protetores Independentes estão sobrecarregados de pedidos de ajuda. Dependendo da região onde este animal foi abandonado, ele poderá ser levado para um abrigo coletivo da prefeitura ou, se tiver muita sorte, ao abrigo de alguma ONG.

Apesar de ser uma solução rápida para o desconforto de quem não gosta de ver animais em sofrimento, os abrigos coletivos são uma solução paliativa longe do ideal. Todos os abrigos estão superlotados e o animal ficará em confinamento até que o seu destino seja resolvido.

No caso dos abrigos públicos que, em geral, são administrados pelas prefeituras dos municípios, este futuro pode ser sombrio. Em muitas regiões os abrigos são autorizados a exterminar os animais em câmaras de gás, por afogamento ou algum outro método bárbaro qualquer.
Os animais ficam confinados num espaço pequeno, com mínimas condições de higiene, pouca alimentação e sem acesso à luz do sol. Em geral existe um prazo de duas semanas para este animal ser reclamado por alguém. Após este prazo o animal será exterminado. Uma parcela mínima destes animais terá a sorte grande de ser adotado ou reclamado por alguém. A maior parte destes animais, entretanto, irá parar no cemitério, ou será enviado para alguma universidade ou centro de pesquisa para ser torturado em algum experimento científico.

Nas regiões com legislação ambiental mais avançada existem leis que proíbem o extermínio dos animais recolhidos em abrigos públicos, ou só permitem a eutanásia (morte sem dor por injeção letal). Em alguns casos mesmo a eutanásia só é permitida em situações extremas, quando o animal se encontra numa condição física degradante, ou possui um problema irrecuperável de comportamento agressivo.

Nos abrigos coletivos de ONGs o tratamento deste animal será melhor. Melhores condições de higiene, alimentação e tratamento veterinário e a garantia de que o animal não será sacrificado. Mas, a maioria dos abrigos de ONGs estão superlotados e, mesmo se conseguir uma vaga, o animal poderá permanecer neste local o resto de sua vida.

Em resumo: A menos dos sortudos que são adotados por uma nova família, um futuro sombrio aguarda este animal que foi abandonado na rua por ação de um ser, supostamente dotado de consciência e sentimentos que, ironicamente, é rotulado com o adjetivo de “humano”.

O problema do animal abandonado nos centros urbanos tem sido conduzido tradicionalmente pelas autoridades públicas por meio de um processo que pode ser resumido nas seguintes etapas:

  • Captura do animal abandonado.
  • Confinamento em abrigo coletivo.
  • Prazo para reclamação de posse ou adoção do animal.
  • Extermínio.

Ao longo dos anos este processo demonstrou sua ineficiência em resolver o problema do animal abandonado, além da sua injustificada crueldade. Em pleno século 21 os animais continuam sendo abandonados nas ruas das cidades, e também se acumulando numa vida indigna nos abrigos coletivos, e por fim, sendo exterminados aos milhares.

Mas recentemente um novo procedimento para garantir um tratamento mais digno ao animal abandonado vem ganhando força. Este procedimento é baseado no conceito de Lar Temporário, ou seja, o animal abandonado é acolhido por uma família que lhe oferece as condições de recuperação, o tempo que for necessário, até que ele venha a ser adotado definitivamente por uma nova família.

Poucos recursos são necessários para colocar em prática esta forma de tratamento do animal abandonado. Uma casa com um pequeno quintal, ou mesmo um apartamento, podem abrigar um pequeno cachorro, um gato ou uma ninhada de filhotes. As despesas com alimentação, medicamentos e higiene são pequenos e podem ser absorvidos facilmente por uma família de classe média. Eventuais despesas com tratamento veterinário ou castração podem ser cobertas, parcial ou integralmente, pelas ONGs de proteção animal. As ONGs também assumem a responsabilidade em divulgar este animal para adoção, seja pela Internet, meios de comunicação ou em feiras de adoção.

Se para alguém este método de trabalho é novidade, fique sabendo que grande parte dos Protetores Independentes de Campinas trabalha desta forma. O procedimento de acolher o animal abandonado em um Lar Temporário, pode ser resumido nas seguintes etapas:

  • Resgate do animal abandonado.
  • Tratamento veterinário (se for o caso).
  • Vermifugação, vacinação e alimentação reforçada.
  • Castração (se for o caso).
  • Divulgação para adoção.
  • Entrevista com os interessados pela adoção.
  • Entrega do animal para a sua nova família.

Esta forma de tratar o animal abandonado é muito mais humana e civilizada se comparada com o método tradicional promovido pelas autoridades públicas. Além disso o animal tem uma chance real de se recuperar e encontrar um lar que o adote definitivamente como um membro da família.

Mas nem tudo é um mar de rosas. Existem aqueles animais que por causa da idade avançada, doenças crônicas ou mutilações, dificilmente serão adotados. É triste mas temos que encarar esta realidade. Infelizmente estes animais correm grande risco de terminarem os seus dias em abrigos coletivos.

Voltando ao início deste Post:
O que poderia o reclamante ter feito para ajudar o animal abandonado que apareceu em sua rua além de enviar e-mails denunciando o caso?
Será que, ele ou ela, poderia ter retirado este animal da rua e oferecido água e comida e depois solicitado uma assistência por parte das ONGs?
Será que esta pessoa poderia ter oferecido lar temporário a este animal até que ele fosse adotado definitivamente por uma nova família?

Os Protetores de Animais são pessoas comuns como eu e você, a única diferença está na postura assumida diante do problema. Estas pessoas decidiram arregaçar as mangas e fazer algo em vez de permanecer numa atitude passiva, apenas a reclamar e a denunciar o problema do animal abandonado.

“Todo ser humano é um protetor de animais em potencial, o que falta para a sua plena realização nesta função é apenas uma coisa: a decisão de agir.”

* * *

3 Comentários leave one →
  1. Ivete Novaes permalink
    junho 4, 2012 22:32

    A maioria das pessoas, querem resolver o “problema”, simplesmente tirando-o de suas vistas.

  2. Ingrid Menz permalink
    junho 5, 2012 10:56

    Que bom que você esta´divulgando este texto, e de uma maneira tão gentil. É isto exatamente o que penso e sempre explico. Parece que um animal abandonado perturba as pessoas, que pedem para que alguém o retire daí, mas não fazem nada elas próprias. É tão fácil jogar a responsabilidade para os outros…
    Parabéns pelo texto.
    Ingrid

  3. Sandra aissa permalink
    dezembro 15, 2012 11:14

    Olá,sou Sandra encontrei um pitbul na minha calçada morto de fome sede e dei comida e tudo mais,só que tenho pavor em ver casos abisurdos e desfiguraçaõ que fazem c/ o proprio dono ele n faz nada p/ mim e meu marido,mas na rua ele é ante social machucou muito um cachorro da visinha todos correm dele,faz dois dias que estou c/ele mas tenho netinhos e n/vou ficar c/ ele tenho medo… alguem pode ter soltado p/ algum problema…
    não quero esperar 1 novo proplema não sei onde levar? esta dentro de casa é saudavel,sem proplemas … moro em Sumaré e em Jacutinga nao paro pelo trabalho n/posso ter ele. vou p minas semana que vem o que faço c/ ele na rua pessoas joga pedra nele…pode me ajudar? Deus abençoe…

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